Arqueologia em Conexão
nº 4 dezembro, 1997
 

Textos Científicos (um mergulho na pesquisa)


O GÊNERO Arachis L. (LEGUMINOSAE): IMPORTANTE FONTE DE PROTEÍNAS NA PRÉ-HISTÓRIA SUL-AMERICANA?*

José F. M. Valls
CENARGEN/EMBRAPA

Amendoim  
         O crescente conhecimento taxonômico e fitogeográfico do gênero Arachis, resultante de pesquisas voltadas ao melhoramento genético do amendoim, tem despertado questões intrigantes a nível multidisciplinar, algumas das quais necessitam ser analisadas a partir de conhecimentos arqueológicos.

         O conhecimento botânico do gênero, que vinha sendo ampliado através de uma série de trabalhos paralelos, conduzidos na América do Sul por pesquisadores de instituições localizadas na Argentina, Brasil, Estados Unidos e índia, foi consolidado, recentemente, pela publicação de uma profunda revisão de suas espécies, por Antonio Krapovickas & Walton C. Gregory (1994). Nessa monografia, os autores reconhecem a existência de 69 espécies, uma das quais, Arachis hypogaea L., é o amendoim mais conhecido e amplamente cultivado em todos os países com clima tropical, com grande influência na alimentação humana, principalmente nos países com clima semi-árido (Singh & Singh, 1992). Outros autores (Valls & Simpson, 1994) sugerem a existência de um número ainda maior de espécies, alcançando 80, a partir de materiais adicionais, trazidos à luz em coletas muito recentes. Krapovickas & Gregory (1994) e Valls & Simpson (1994) enfatizam a restrição de ocorrência natural das espécies silvestres do gênero a apenas cinco países, Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.

         O gênero é dividido em nove secções, todas ocorrentes no Brasil, país que reúne a maior parte das espécies. Cinco das secções avançam sobre o Paraguai. Apenas duas alcançam a Bolívia, a Argentina e o Uruguai. Só uma, a secção Arachis, exatamente a mais evoluída e que contém o amendoim comum, ocorre nos cinco países. Sete das secções mostram apenas espécies perenes. Por sua vez, a secção Arachis reúne espécies perenes e anuais, enquanto Heteranthae, exclusiva do quadrante nordeste do Brasil, só tem espécies de ciclo anual.

     A importância mundial do amendoim e o grande interesse despertado pelas espécies silvestres do gênero, para uso em seu melhoramento, tem sido abordados, em profundidade, em algumas publicações recentes (Nigam, 1992; Krapovickas & Gregory, 1994; Smartt, 1994; Valls & Simpson, 1994).

         O maior interesse pela prospecção, resgate e caracterização de germoplasma das espécies silvestres de Arachis reside em seu potencial de fornecimento de genes úteis para o melhoramento do amendoim cultivado (Stalker & Moss, 1987; Stalker, 1992), principalmente no que diz respeito à resistência a doenças, em que a base genética de A. hypogaea é muito estreita (Subrahmanyam et al., 1985b). Da conscientização dessa importância por instituições de pesquisa voltadas ao produto, ou patrocinadoras de atividades relativas a recursos genéticos, resultou a concretização de um esforço internacional, de quase quatro décadas, voltado à coleta de germoplasma de populações locais do amendoim e de suas espécies silvestres associadas.

         A situação atual dessas coletas e seus resultados acumulados tem sido alvo de diversas publicações, que enfatizam as prioridades estabelecidas (Simpson, 1984), o espectro dos materiais resgatados (Valls et al., 1985; Valls, 1992) e as peculiaridades da coleta das espécies silvestres, em que as diferenças começam pela impossibilidade de visualização prévia das sementes a coletar, que precisam ser peneiradas do solo (Valls & Pizarro, 1994; Valls, Rao & Simpson, 1985). Além disto, salientam o caráter francamente colaborativo e harmônico do programa em execução (Simpson, 1991).

     A caracterização do germoplasma obtido ao longo dessas coletas vem trazendo perspectivas interessantes, como a descoberta de novas fontes de resistência a doenças (Subrahmanyam et al., 1985a) e até de plantas com ciclo extremamente curto, caráter de grande utilidade para a adaptação de variedades cultivadas do amendoim às áreas com maior carência de chuvas da África Ocidental (Peanut CRSP, 1992) e, portanto, de grande valor social. Por sua vez, a ampla disponibilidade de germoplasma de espécies perenes tem dado grande realce ao potencial de várias delas para o uso forrageiro e para culturas de cobertura, controladoras da erosão, hoje muito procuradas diante da crescente demanda por programas de agricultura sustentável. No entanto, o valor forrageiro das espécies de Arachis já era reconhecido na literatura agronômica, desde os relatos de Otero (1941) e as avaliações realizadas por Prine (1964), nos Estados Unidos, em materiais recebidos do Brasil e Paraguai. Na situação atual, porém, o enfoque é mais objetivo e aprofundado, tendo resultado na criação, nos Estados Unidos, de uma "Perennial Peanut Producers Association", que difunde e estimula o cultivo de A. glabrata Bentham, planta rizomatosa só multiplicada por via vegetativa, e de programas de produção comercial de sementes do ‘maní forrajero perenne’, A. pintoi Krap. & Greg., planta estolonífera, na região de Yapacaní, na Bolívia.

         Uma síntese dos conhecimentos sobre a biologia e aspectos agronômicos das espécies forrageiras de Arachis foi organizada por Kerridge & Hardy (1994). é pitoresco destacar-se a importância crescente do uso de espécies de Arachis para apoiar a produção de proteína animal, quando foi a introdução do gado bovino, pelos europeus, o grande fator de redução da importância do amendoim como fonte de proteína para as populações americanas.

      O amendoim mais comumente conhecido é uma planta domesticada na América do Sul e caracterizada pela produção subterrânea de sementes que podem ser ingeridas cruas e tem teores elevados de óleo e proteínas. Trata-se de um dos alimentos humanos mais concentrados e, ao mesmo tempo, um alimento de fácil digestão (Brücher, 1989). A aceitação generalizada da indubitável relevância do gênero Arachis na dieta pré-colombiana é fundamentada em achados arqueológicos de mais de 3.700 anos (Hammons, 1994), no cultivo generalizado por populações primitivas atuais, com seis centros de diversificação secundária (Singh, 1994), e no valor alimentício comprovado (Brücher, 1989), tudo isto, porém, de uma única espécie cultígena, A. hypogaea L.
 A documentação arqueológica mais antiga de A. hypogaea refere-se a material abundantemente encontrado na costa árida do Peru, a partir do chamado Período Inicial, de 3.800 a 2.900 B.P. (Pickersgill & Heiser, 1977), e que, em sua maior parte, enquadra-se em A. hypogaea subsp. hypogaea var. hirsuta Kohler; mas a variabilidade da espécie é mais ampla, distribuindo-se por duas subespécies e seis variedades (Krapovickas & Gregory, 1994). Além disto, o amendoim não teve sua origem a oeste, e sim a leste dos Andes, provavelmente no que, hoje, corresponde ao noroeste da Argentina e sul da Bolívia (Singh, 1994). Certamente, o contato entre as culturas do leste e oeste dos Andes foi prolongado e eficiente, como atesta a presença na face oeste do amendoim, da mandioca e de Capsicum chinense Jacq., uma pimenta domesticada na Amazônia (Brücher, 1989; Hammons, 1994), mas permanece a dúvida sobre quantos anos (ou séculos) de domesticação já teria o amendoim, ao ser levado pelo homem, da vertente leste para o oeste dos Andes, através de passos nunca mais baixos que 4.500 m.s.m. e ao longo de altitudes excessivas para seu desenvolvimento adequado em cultivo.

     Apesar do reconhecimento do valor nutritivo do amendoim (Prous, 1992), é notório que a maior parte da literatura etnobotânica e arqueológica regional dá pouca ênfase a seu valor como fonte de alimentação proteica na América. Ao contrário, muitos textos insistem na baixa disponibilidade proteica para os habitantes primitivos da América do Sul, a partir da flora local, em comparação com a riqueza em carbohidratos. Há, inclusive, a formulação de hipótese sobre a impossibilidade de estabelecimento e sobrevivência de amplas populações indígenas na Amazônia, devido à baixa disponibilidade de proteína animal naquele ambiente - a "hipótese da limitação proteica" de Daniel Gross, 1975 - criticada por Beckerman (1991). Em suma, são pouco consideradas as alternativas proteicas disponíveis na flora sul-americana.

     Eventualmente, o amendoim é considerado similar aos feijões (Phaseolus vulgaris L. e Ph. lunatus L.), mas é dado pouco destaque à importante possibilidade de seu consumo cru, que o caracteriza como um alimento disponível e adequado para qualquer nível tecnológico de aproveitamento. Por outro lado, seu valor proteico é reconhecido fora da área de origem, como, por exemplo, na referência de Weatherford (1988), que atribui à introdução do amendoim desde a América, o aumento do consumo de proteína na áfrica.

     Ainda na América, em uma rara referência, Storni (1942) descreve, de modo pitoresco, um costume relacionado ao consumo do amendoim no interior da Argentina:

     "... Los indígenas comíanlo crudo y no lo olvidaban en sus caminatas; hasta hoy en Corrientes el criollo resuelve su tranquilidad estomacal con un buen puñado de maní puesto al bolsillo y que en siendo oportuno, despaciosamente, almendra por almendra, como a cálculo para asegurarse sin apremios el retorno a la casa, va echando a la boca."

     O costume descrito por Storni, para membros de uma sociedade que já dispunha de toda a gama de alimentos trazida pelos europeus, permite inferências sobre as demais espécies de Arachis: O mesmo comportamento, demonstrado perante a espécie cultivada, poderia ter sido adotado para espécies com frutos semelhantes e sementes também nutritivas e de sabor idêntico, cuja única diferença fosse a origem na natureza próxima e não em áreas de cultivo. Sem dúvida, seria um procedimento racional, necessário e atrativo para grupos ainda mais primitivos, dedicados à coleta e dela dependentes. A intensa rotina de procura de raízes e tubérculos (Prous, 1992) daria oportunidade ao encontro das sementes subterrâneas de espécies não cultivadas de Arachis, muitas vezes abundantes. O reconhecimento das plantas que as produzissem seria uma decorrência lógica e educativa para procura adicional.

        Cabe, pois, considerar-se a produção de sementes, que mostra forte variação, em A. hypogaea , em função das práticas de cultivo. No estado de São Paulo, que se destaca por sua agricultura tecnificada, a produção média de amendoim em casca cresceu de 1.300 a 1.500 kg/ha, na década de 70, para 1.800 kg/ha na década seguinte. No entanto, na região de alto potencial agrícola de Ribeirão Preto, a média alcançou 2.500 kg/ha. Em condições experimentais, obtêm-se médias de até 4.000 kg/ha com a cultivar ‘Tatu’ (Godoy & Giandana, 1992). Nos Estados Unidos, a produtividade média é de 3.000 a 3.750 kg/ha, chegando a 5.000 kg/ha na Georgia, em condições experimentais, enquanto, na maior parte do mundo tropical, mantêm-se abaixo de 800 kg/ha (Brücher, 1989). A média mundial é estimada em 1167 kg/ha (Singh, 1994). Já em nota recente, Pizarro et al. (1995) descrevem o comportamento de 46 acessos representativos de populações silvestres de A. pintoi e A. repens Handro, cuja produção de sementes em casca variou de zero a 3.700 kg/ha, em condições experimentais.

     Assim sendo, a disponibilidade de espécies de Arachis para uso pelo homem primitivo é óbvia:

 (1) A área de ocorrência natural é ampla.
 (2) Várias espécies são capazes de manter-se como grandes populações em locais perturbados, por muitos anos, graças à comum heliofitia e à geocarpia obrigatória.
 (3) Sua produção de sementes pode ser muito alta e os procedimentos rotineiros de grupos coletores dariam oportunidade a sua localização.
 (4) Além disto, as espécies silvestres são reconhecidas por populações interioranas, especialmente as mais primitivas, que as associam a A. hypogaea , pela similaridade das folhas, mas, em geral, as discriminam por nomes distintos (Krapovickas & Gregory, 1994).

     Desta forma, a importância do gênero ultrapassa os limites de A. hypogaea . Acredita-se, mesmo, que, no passado remoto, diversas espécies de Arachis tenham sido importantes na dieta humana, e algumas até regularmente cultivadas. Uma delas, também cultígena, tem sua condição de planta cultivada amplamente documentada:

     Arachis villosulicarpa Hoehne - Trata-se de uma espécie nunca encontrada na natureza e apenas conhecida em cultivo entre três grupos indígenas do oeste do Mato Grosso. Suas sementes tem altos teores de óleo e o conteúdo de triptofano supera toda a variação encontrada, nos Estados Unidos, no amendoim comum (Amaya-F. et al., 1977). Além disto, mostra resistência a duas moléstias foliares (Smartt & Stalker, 1982; Pittman et al., 1984). Não tem qualquer relação genética com A. hypogaea , o que indica ter resultado de um processo de domesticação independente, localizado no Brasil, único país com elementos da secção Extranervosae, à qual pertence (Krapovickas et al., 1985).

     Arachis monticola Krap. & Rigoni - é a espécie mais próxima de A. hypogaea , com a qual produz híbridos férteis, ocorrendo em sua provável área de origem e mostrando número igual de cromossomos (Krapovickas & Rigoni, 1957). Singh (1994) sugere que A. monticola poderia ser considerada como apenas uma subespécie ou forma silvestre de A. hypogaea , com o que não concordam Krapovickas & Gregory (1994). Sua ocorrência remota, no extremo sudoeste de distribuição do gênero e apenas em locais entre 1.250 e 1.565 m.s.m. é excepcionalmente discrepante da situação das demais espécies, sempre típicas de altitudes abaixo ou próximas da metade dessa cota.

     Arachis stenosperma Krap. & Greg. - Espécie anual, prolífera, com sementes pouco menores que as dos amendoins mais comuns, mas com os maiores percentuais de proteína encontrados no gênero, atingindo 33,5% (Amaya-F. et al., 1977), e que ocorre, sempre em condições ruderais, do leste de Cuiabá ao nordeste de Barra do Garças, no Mato Grosso, passando por Rondonópolis, Guiratinga e General Carneiro, e de Paranaguá ao Rio de Janeiro, ao longo do litoral atlântico, com coletas intermediárias em Antonina, Paraná, e Cananéia, Peruíbe, São Sebastião, Caraguatatuba e Ubatuba, em São Paulo. é difícil interpretar-se tal ocorrência disjunta e, quanto ao litoral, excepcional para o gênero, sem considerar-se a possibilidade de transporte pelo homem (Simpson et al., 1993; Krapovickas & Gregory, 1994). Um dos locais de ocorrência, Cananéia, situa-se sobre ilha marítima, muito próxima à costa, sem dúvida, mas suficientemente isolada por um braço de mar, para que a penetração da espécie na área possa ser considerada natural.

     Arachis sylvestris (Chevalier) Chevalier - Espécie anual, muito prolífera, cujo processo reprodutivo dá origem a frutos subterrâneos nunca situados a mais de meio metro do local de germinação da planta-mãe, cobre todo o território brasileiro ao norte e a leste de Formosa/Goiás e de Januária/ Minas Gerais, mostrando a maior distribuição de uma espécie silvestre do gênero. Curiosamente, as plantas que produzem as maiores sementes, nesta espécie, são as de ocorrência mais isolada e centrífuga, em relação à área de distribuição quase contínua no nordeste do Brasil (Veiga et al., 1995), o que poderia constituir-se em caráter selecionado, ao longo de processos seculares de coleta, utilização e transporte pelo homem, e até por eventual uso agrícola.

     Diversas outras espécies anuais e, mesmo perenes, mostram distribuição complexa e difícil de interpretar-se sem considerar a interferência humana. As espécies brasileiras de Arachis nunca ocorrem a mais de 750 m de altitude. No entanto, as áreas de muitas delas são seccionadas por divisores de águas com menores altitudes acima de 900 m.s.m (Valls, 1992). Arachis pintoi apresenta este comportamento, mostrando sua maior variabilidade no vale do rio São Francisco, mas transbordando, sobre os divisores de águas, para o vale do Jequitinhonha, a sudeste, e o do Paranã, a oeste. Por seu hábito estolonífero, esta espécie perene adapta-se também ao plantio por mudas (Rincón et al., 1992), o que implicaria em possível utilização hortícola similar à da batata doce, plantada por segmentos de ramos e, mais tarde, colhida sob o solo.

     Sem afastar-se o eventual carreamento de sementes, em função de fenômenos climáticos/geológicos de vulto, a ação humana no transporte de sementes e mudas precisa ser avaliada sob o enfoque arqueológico. A própria origem do amendoim cultivado é mais fácil de compreender-se como um fenômeno ocorrido, não diretamente na natureza, mas em campos de cultivo de outras espécies anuais (Krapovickas & Gregory, 1994). O amendoim é uma espécie tetraplóide, anfiplóide, que reúne dois genomas ocorrentes em espécies diplóides distintas da secção Arachis (Fernandez & Krapovickas, 1994). Algumas dessas espécies são as de distribuição geográfica mais próxima à de A. monticola, na provável área de domesticação do amendoim (Krapovickas & Gregory, 1994).

     Vestígios bem conservados de frutos de uma espécie de Arachis, distinta das acima citadas, foram encontrados em um sítio pré-colombiano, a oeste dos Andes, em Bermejo, no Peru, comprovando o transporte pelo homem (Krapovickas & Gregory, 1994). De modo similar, várias descobertas arqueológicas brasileiras, associadas na literatura ao amendoim comum, ou nunca identificadas, poderiam tratar-se de materiais de outras espécies do gênero. Por sua posição geográfica central, em relação à distribuição natural das espécies silvestres, assume grande interesse a revisão de materiais ainda não identificados das grutas secas de Minas Gerais, como a Lapa do Boquete, em Januária, com seus silos de materiais vegetais (Prous et al., 1984) e a Lapa do Gentio, em Unaí, com suas datações antigas e restos vegetais bem conservados (Dias Jr., 1993).

     É interessante considerar-se que diversas populações de espécies de Arachis tem sido coletadas vegetando nas proximidades de sítios arqueológicos. Arachis pintoi é abundante na Fazenda Genipapo, 12 km ao norte de Formosa, Goiás, local muito próximo de sítios arqueológicos, como a Lage de Pedra. A. stenospermaé abundante em Peruíbe, junto às Ruínas do Abarebebe, do século XVI. Por sua vez, esta mesma espécie foi coletada em São Paulo, em 1920, nas proximidades do rio Pinheiros, "... em terrenos cultivados, mas selvagem ...", conforme anotações de A. Gehrt, o coletor (Hoehne, 1940). Pareceria apropriado investigar-se as associações desta espécie, disjunta no Mato Grosso e Litoral, com o traçado do lendário caminho Peabirú, mencionado por Donato (1985) e Prous (1992), incluindo suas variantes conhecidas.

     O reexame de possíveis vestígios de Arachis e mesmo daqueles identificados como pertencentes a A. hypogaea, à luz dos conhecimentos botânicos atuais, poderia permitir melhor avaliação do impacto do gênero sobre a nutrição humana, especialmente a proteica, no passado remoto.
  * Trabalho publicado originalmente nos Anais da VIII Reunião da Sociedade de Arqueologia Brasileira, EDIPUCRS, Vol 2, 1996.

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